Quanto custa viver juntos: calculadora para casais
Some renda, contas, caução, mudança e mobília para ver quanto custa viver juntos por mês, quanto sai de uma só vez e quanto juntar antes de receber as chaves. Indiquem também o que cada um gasta hoje e descubram se viver juntos vos faz poupar.
Como funciona a calculadora do custo de viver juntos
A calculadora separa o dinheiro em duas caixas, porque pesam de forma diferente no orçamento: os custos mensais da casa nova, que se repetem todos os meses, e os custos iniciais, que se pagam uma só vez, antes ou logo depois da mudança.
Os dois totais aparecem divididos a meias, como ponto de partida. Se indicarem quanto cada um gasta hoje nas mesmas categorias (renda, contas, supermercado e subscrições), a calculadora compara com o custo mensal da casa nova e mostra a poupança (ou o gasto extra) por mês e por ano. Quando há poupança, estima também em quantos meses essa poupança paga os custos da mudança.
Tudo é calculado no navegador. Nenhum valor é enviado nem guardado.
Lista de custos para viver juntos: o que pôr na conta
Os campos já vêm com uma estimativa para um T2 arrendado numa cidade como Lisboa ou Porto. É só um ponto de partida: troquem pelos valores dos anúncios que estão a ver e pelas contas que já pagam hoje.
Custos mensais da casa nova
- Renda e condomínio. Em regra, o condomínio é pago pelo senhorio, mas o contrato pode passá-lo para o inquilino; confirmem no anúncio. O IMI é um imposto do proprietário e não entra na conta de quem arrenda.
- Luz, água e gás. Usem as vossas contas atuais como referência. Duas pessoas gastam mais do que uma, mas costuma ficar mais barato do que duas casas.
- Internet, TV e telemóvel. Um só pacote para a casa, em vez de dois.
- Supermercado. Comprar para dois rende mais, mas é aqui que o orçamento costuma fugir.
- Empregada de limpeza, se fizer parte do plano.
- Seguro multirriscos e streaming e subscrições. Boa altura para cancelar as subscrições que estão em duplicado.
Custos iniciais (uma só vez)
- Caução. Em Portugal, é habitual pedir uma ou duas rendas de caução, além da primeira renda (e, por vezes, rendas adiantadas). A lei impõe limites a estes valores, por isso confirmem as regras em vigor antes de assinar. A caução é devolvida no fim do contrato, descontados eventuais danos ou dívidas.
- Fiador ou garantia bancária. Se o senhorio aceitar uma destas garantias em vez da caução, ponham 0 na caução e somem o eventual custo em “Outros”.
- Mudança e transporte.
- Mobília e eletrodomésticos. Cama, frigorífico, fogão e máquina de lavar costumam ser os itens mais caros. Vejam o que cada um já tem antes de comprar; muitos T2 arrendados já vêm com cozinha equipada.
- Pintura e pequenas reparações, além de cortinados, candeeiros e lâmpadas.
- Roupa de casa e utensílios de cozinha, quarto e casa de banho.
- Outros: cópias de chaves, ligação ou mudança de titular da luz, água e gás e instalação da internet.
Vale a pena saber: em regra, a comissão da imobiliária é paga por quem a contratou, normalmente o senhorio. Se vos aparecer uma “taxa de contrato” ou “taxa de reserva”, perguntem do que se trata antes de pagar. Confirmem também que o senhorio comunica o contrato às Finanças: além de ser obrigação dele, é isso que vos permite deduzir parte das rendas no IRS.
Exemplo: quanto custa viver juntos com os valores da calculadora
Com os valores que já vêm preenchidos: renda de 1200 €, caução de 2 rendas, e cada um a gastar hoje 1150 € e 1050 € por mês em renda, contas, supermercado e subscrições.
| Item | Total do casal | Por pessoa (50/50) |
|---|---|---|
| Custos mensais da casa nova | 1955 € | 977,50 € |
| Caução (2 × 1200 €) | 2400 € | 1200 € |
| Mudança, mobília, eletrodomésticos, reparações e roupa de casa | 5100 € | 2550 € |
| Custos iniciais | 7500 € | 3750 € |
| Quanto juntar antes de mudar | 9455 € | 4727,50 € |
Hoje, os dois somam 2200 € por mês. Na casa nova, o custo desce para 1955 €: uma poupança de 245 € por mês, ou 2940 € por ano. Em contrapartida, a mudança exige 7500 € à cabeça, e a poupança demora cerca de 31 meses a pagar esse valor. A caução de 2400 € volta no fim do contrato, mas os outros 5100 € não. Por isso, comprar por etapas e aproveitar o que cada um já tem faz tanta diferença.
Dica: para a comparação ser justa, o gasto de hoje tem de incluir as mesmas categorias da casa nova: renda, contas, supermercado e subscrições. Se a empregada de limpeza só entrar na casa nova, aparece como gasto a mais, e não faz mal: é uma escolha vossa.
Viver juntos faz poupar?
Na maioria dos casos, sim, mas não de forma automática. A poupança vem de pagar uma renda em vez de duas e de dividir custos que não duplicam com duas pessoas: internet, subscrições, seguro e a parte fixa das contas da água e da luz.
Há três coisas que costumam comer essa poupança:
- Uma casa muito maior. Trocar dois T0 ou dois quartos arrendados por um T2 numa zona melhor pode custar quase o mesmo que as duas casas somadas e reduzir bastante a poupança.
- Um nível de vida que sobe em conjunto. Mais comida encomendada, mais jantares fora, a empregada de limpeza que nenhum dos dois tinha. Cada gasto parece pequeno; somados, tornam-se uma conta nova.
- Custos iniciais elevados. Caução, mobília e eletrodomésticos podem levar muitos meses a ser pagos pela poupança mensal.
Por isso, a calculadora mostra em quantos meses a poupança paga a mudança. Se o prazo ficar longo, ou se aparecer um gasto extra, vale a pena rever a escolha da casa ou o que tem de ser comprado logo à partida. E se um dos dois vive com a família sem pagar nada, a pergunta muda: viver juntos não vai poupar, vai custar. Não faz mal, desde que esteja no planeamento.
Quanto juntar para viver juntos
A sugestão da calculadora é juntar os custos iniciais mais um mês inteiro de despesas da casa nova. O mês extra existe porque o início tem surpresas: a primeira renda a coincidir com as prestações da mobília, uma conta da luz maior do que o esperado, o esquentador que é preciso trocar.
No exemplo, são 9455 € no total, 4727,50 € para cada um. Se o valor parecer alto, há margem para mexer:
- Negociar a garantia. Um fiador ou uma garantia bancária podem substituir parte da caução. Comparem o custo total de cada opção.
- Comprar por etapas. Cama, frigorífico, fogão e máquina de lavar primeiro; sofá, estante e decoração depois.
- Juntar o que cada um já tem. Duas casas costumam transformar-se numa casa equipada, com sobras para vender.
- Cuidado com as prestações. Pagar a mobília em 10 prestações não reduz o custo: só empurra a mudança para dentro do orçamento dos meses seguintes.
Este dinheiro não é o fundo de emergência. O fundo continua a existir depois da mudança; se ainda não têm um, a calculadora do fundo de emergência ajuda a definir o valor.
Contrato, divisão das contas e os primeiros meses
Em nome de quem fica o contrato
O mais seguro costuma ser os dois assinarem como arrendatários. Assim, ambos têm os mesmos direitos sobre a casa e respondem em conjunto pela renda. Se o contrato ficar em nome de uma só pessoa, é ela que responde perante o senhorio; combinem por escrito como a outra contribui.
Viver juntos também pode ter efeitos jurídicos: ao fim de mais de dois anos a viver em condições análogas às dos cônjuges, a relação pode ser reconhecida como união de facto, com efeitos, por exemplo, na possibilidade de optar pela tributação conjunta no IRS. A união de facto não cria um regime de bens como o casamento, por isso vale a pena registar por escrito quem comprou o quê. Na dúvida, falem com um advogado.
O que é da casa e o que é de cada um
Antes da mudança, definam o que é despesa da casa (renda, contas, supermercado, limpeza) e o que continua a ser pessoal (roupa, ginásio, dívidas antigas, presentes para a própria família). Se os salários forem muito diferentes, o 50/50 pode não ser o mais justo: a calculadora para dividir despesas do casal mostra a parte de cada um em função do rendimento. E se tiverem dúvidas sobre como organizar o dinheiro, vejam o guia sobre conta conjunta ou contas separadas.
Os primeiros meses: registem e revejam
Nos primeiros meses, o orçamento ainda é uma estimativa. Anotem as contas da casa e quem pagou cada uma. O TakeControl ajuda nisso: registam a renda e a internet como despesas recorrentes, lançam o supermercado na hora (até por voz ou pela foto do talão), escolhem dividir 50/50 ou por percentagem e veem o saldo de quem deve a quem.
Ao fim de três meses, sentem-se com os números reais e refaçam esta conta. É o momento de ajustar a divisão, cortar o que ficou caro e confirmar se a poupança prevista apareceu. O guia sobre o custo de vida do casal ajuda a organizar essa conversa.
Perguntas frequentes
Depende da cidade e da casa, mas a conta tem duas partes: os custos mensais (renda, contas, internet, seguro e supermercado) e os custos iniciais (caução, mudança, mobília e eletrodomésticos). Com os valores por defeito da calculadora, para um T2 arrendado numa cidade como Lisboa ou Porto, o casal gasta 1955 € por mês e precisa de 7500 € para se mudar. Troquem pelos vossos valores reais para terem o número certo.
Normalmente sim, porque pagam uma renda em vez de duas e dividem custos fixos como internet, seguro e subscrições. Mas a poupança desaparece quando o casal escolhe uma casa muito maior ou quando o nível de vida sobe. Comparem o que gastam hoje com o custo da casa nova, com as mesmas categorias dos dois lados. Com os valores por defeito da calculadora, a poupança é de 245 € por mês.
Uma boa regra é juntar os custos iniciais (caução, mudança, mobília e eletrodomésticos) mais um mês inteiro de despesas da casa nova. O mês extra cobre as surpresas do início. Este valor é separado do fundo de emergência, que deve continuar intacto depois da mudança.
Em Portugal, é habitual pedir uma ou duas rendas de caução, além da primeira renda, e por vezes rendas adiantadas. A lei impõe limites a estes valores, por isso confirmem as regras em vigor antes de assinar. Um fiador ou uma garantia bancária podem ser alternativas. A caução é devolvida no fim do contrato, descontados eventuais danos ou dívidas.
Em geral, é o mais seguro, porque ambos têm os mesmos direitos e responsabilidades sobre a casa. Se o contrato ficar em nome de uma só pessoa, é ela que responde pela renda perante o senhorio. Nesse caso, combinem por escrito como a outra pessoa contribui.
A calculadora mostra a divisão 50/50 como ponto de partida. Se os salários forem muito diferentes, muitos casais preferem dividir de forma proporcional ao rendimento. A calculadora para dividir despesas do casal, aqui no TakeControl, faz essa conta em segundos.
Esta calculadora faz o papel da folha de cálculo de planeamento: lista os custos mensais e iniciais e calcula o total, a parte de cada um e quanto juntar. Depois da mudança, no dia a dia, uma app como o TakeControl regista as contas da casa, as despesas recorrentes e quem pagou o quê, sem fórmulas.
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